ACS participa de Audiência Pública em defesa das vítimas do Césio 137

A Associação de Cabos e Soldados da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, participou hoje (13) da Audiência Pública: 30 Anos do Acidente com o Césio 137, na Alego em Goiânia.

Parte integrante da Programação Césio 30 Anos: Eu Também sou Vítima, que acontece de 12 de Setembro a 21 de Outubro, a mesa de trabalhos da reunião foi presidida pelo Deputado Helio de Sousa e teve como demais membros o presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente, Gilberto Marques Neto, representando o prefeito Iris Rezende Machado; o coordenador do Fórum Permanente sobre o Acidente com Césio-137, professor Júlio de Oliveira Nascimento; o representante da Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Energia Nuclear, Maria Vera Casteliano; a representante dos sobreviventes da Bomba Atômica de Hiroshima e de Nagasaki, Junko Watanabe.

Também compuseram a mesa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada de Goiás, Petronilho Alves de Moura; o representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, diácono Ramon Curado; a presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, Suely Lina Moraes Silva e o Capitão da reserva remunerada Alves, representando o Presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar e o diretor do Centro de Atendimento aos Rádio Acidentados, André Luiz de Souza.

O debate tratou das causas e consequências do acidente, além de aprofundar a consciência sobre a real situação das vítimas na atualidade. A forte presença das vítimas e das Associações que as representam enriqueceu as discussões e em vários momentos emocionou os presentes.

As demandas trazidas pelas Associações foram apreciadas e foi feito um compromisso pelo Deputado Hélio de Sousa de receber essas reivindicações e encaminhá-las ao Governador, juntamente com os Presidentes das Associações, em uma reunião a ser agendada para essa finalidade. O Deputado ressaltou ainda a importância da união desses representantes para o fortalecimento da luta em defesa das vítimas do Césio 137, para ele foi uma grata surpresa encontrar um grupo tão coeso e articulado em torno de um ideal comum.

Para o Professor Júlio de Oliveira Nascimento, Coordenador do Fórum Permanente Sobre o Acidente com o Césio 137, é um absurdo que 30 anos depois do acidente, entidades e vítimas ainda tenham que se mobilizar para lutar pelo reconhecimento de seus direitos ou pela manutenção destes. Durante o debate vários policiais militares que foram expostos à radiação durante o isolamento, transporte e guarda dos rejeitos do Césio manifestaram sua indignação com a falta do reajuste da pensão concedida pelo Estado e pela União, que hoje é menor que um salário mínimo.

Muitos ainda não receberam o reconhecimento merecido, devido a morosidade do próprio Estado, a complexidade do processo de reconhecimento como vítimas do Césio e até mesmo da falta de informação e orientação da própria instituição sobre os direitos destes bravos guerreiros que colocaram suas vidas, de suas famílias e de sua descendência em risco para salvaguardar Goiânia naqueles dias fatídicos. Mas é importante ressaltar que não há prescrição de prazos para busca dessas garantias legais.

A ACS, juntamente com as outras entidades que compõem o Fórum, vão manter aberto o diálogo com as esferas governamentais para resguardar e garantir que todos aqueles que foram expostos aos efeitos radioativos do Césio 137 recebam tratamento digno, tenham acompanhamento médico e sejam reconhecidos como parte desta história.

Para tanto a ACS está criando a Diretoria dos radioacidentados e estará provocando o Estado para que se estabeleça essa garantia, como entidade classista, de representa-los no Estado de Goiás.

Confira mais sobre o assunto no site e no face da Articulação Antinuclear Brasileira:

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